domingo, 15 de abril de 2012

Ouvindo a voz de Buda


"Não te esqueças
 De aprender com a
 Pura voz do contínuo fluir de um
 Regato na montanha
 Chocando-se de encontro às rochas."
 (Morihei Ueshiba)

(Extraído do livro "A arte da paz: Ensinamentos do fundador do Aikido", compilação de John Stevens)

domingo, 8 de abril de 2012

Já que eu vou morrer...


Maruyama Okyo, Skeleton Performing Zazen on Waves, c.1787 (Daijoji Temple, Hyogo, Japan)
Sawaki Rôshi:

Um aguaceiro
no meio duma briga
sobre irrigação.

Depois de uma longa seca, eles brigam pela água para os campos de arroz. No meio da briga, um aguaceiro cai sobre eles. Como a briga acerca da irrigação depende da condição de tempo seco, se chover, não há problema. Não haverá diferença entre uma mulher bonita e uma feia quando elas estiverem com oitenta anos de idade. A natureza original é vazia e clara.

Uchiyama Rôshi:

Porque a briga acerca da irrigação depende da condição de tempo seco, se chover, não há problema. Vejamos: existe a possibilidade de que, se eu sair agora, eu vá sofrer um acidente de carro que vai acabar comigo. Se eu fosse atropelado por um carro e morresse, meus pensamentos, “eu quero isso, eu quero aquilo”, minha raiva frustrada, “oh... que idiota!”, ou meu desejo por certa mulher seriam todos resolvidos espontaneamente, como um aguaceiro no meio duma briga sobre irrigação. Enquanto estivermos vivos, teremos problemas que se baseiam na presunção de que continuaremos a viver. Mas é também importante olharmos para estes problemas supondo que, no próximo momento, estaremos em caixões. Assim nós podemos viver mais tranquilamente, sabendo que não precisamos ficar presos em nossas próprias opiniões, rangendo nossos dentes e franzindo nossas testas. Em resumo, zazen é olhar para esse mundo como se você já estivesse em seu túmulo.

Sawaki Rôshi:

Imagine você, após sua morte, pensando em sua vida. Você vê que foi irrelevante.

domingo, 4 de março de 2012

Todos os dharmas são vazios, nem surgem, nem findam


Uma onda do oceano tem um começo e um fim, um nascimento e uma morte. Mas, Avalokitesvara nos diz que a onda é vazia. A onda é cheia de água, mas é vazia de um ‘self’ separado. Uma onda é uma forma que foi tornada possível graças à existência do vento e da água. Se uma onda vê apenas a sua forma, com seu início e fim, ela terá medo do nascimento e da morte. Porém, se a onda vê que ela é água, identifica-se com a água, então ela ficará emancipada do nascimento e da morte. Cada onda nasce e irá morrer, mas a água está livre de nascimento e morte.

Quando eu era uma criança, costumava brincar com um caleidoscópio. Eu pegava um tubo com alguns cacos de vidro, girava um pouco, e tinha muitas visões maravilhosas. Cada vez que fazia um pequeno movimento com meus dedos, uma imagem desaparecia e outra surgia. Eu não chorava de modo algum quando o primeiro espetáculo desaparecia porque eu sabia que nada havia se perdido. Uma outra bela imagem sempre se seguia. Se você for a onda e se tornar um com a água olhando para o mundo com os olhos da água, então você não sentirá medo de subir e descer, subir e descer... Mas, por favor, não se satisfaça com mera especulação ou apenas com o que estou dizendo. Você mesmo precisa entrar, provar, ser um com todas as coisas. Isto pode ser feito através da meditação, não apenas na sala de meditação, mas ao longo de sua vida diária. Enquanto você cozinha uma refeição, arruma a casa, enquanto sai para caminhar, você pode olhar para as coisas e tentar vê-las na natureza da vacuidade. Vacuidade é uma palavra otimista; não é pessimista, absolutamente. Quando Avalokita, em sua profunda meditação sobre a Perfeita Compreensão, foi capaz de ver a natureza da vacuidade, repentinamente ele sobrepujou todo o medo e dor. Eu tenho visto pessoas morrerem muito pacificamente, com um sorriso, porque elas vêem que nascimento e morte são apenas ondas na superfície do oceano, ou apenas o espetáculo no caleidoscópio.

(Extraído do livro "O Coração da Compreensão - Comentários ao Sutra do Coração", de Thich Nhat Hanh)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cinco lembranças



Eu estou sujeito ao envelhecimento, não superei o envelhecimento.

Eu estou sujeito à enfermidade, não superei a enfermidade.

Eu estou sujeito à morte, não superei a morte.

Eu me tornarei diferente, separado de tudo o que é querido e amado por mim.

Eu sou o dono das minhas ações, herdeiro das minhas ações, nascido das minhas ações, relacionado através das minhas ações e tenho as minhas ações como meu árbitro. O que quer que eu faça, para o bem ou para o mal, disso me tornarei o herdeiro. 

(Extraído do Upajjhatthana Sutta, disponível em Acesso ao Insight)